
make love, bicho
Não quero o poema
quero a vida como ela era
quero de volta as manhãs e as noites
e a primavera.
Não quero saber dos best-sellers
com suas verdades ignoradas pelas estrelas
- e pelas minhocas.
Não quero os filósofos
não aceito trocar o sabor do doce
pela sua receita
barganho os circunspectos explicadores
- todos eles!
Pelos lunáticos, pelas benzedeiras
e pelos que não sabem das letras
mas sabem do vento e da chuva boa
– e das boas-novas.
Não quero a chuva ácida
não prevista pelos lunáticos.
Não quero cinema enlatado em dvd
arranjem-me ingresso para as matinês de domingo
com todos os vilões restritos à tela
O mundo é fraterno!
Após o the end, rumar para casa comendo pipoca
com picolé de côco comprado na carrocinha
sujando luxuosamente a camisa.
Quero ir à missa para tapear deus
com um caprichado sinal da cruz e
ficar azarando as moças
mas não quero a pornografia:
Sirvam-me a saliência de mestre zéfiro
quero a (re) descoberta, a transgressão e
o gosto das coisas proibidas.
Quero deletar o fotoshop e
ver de novo as mulheres
escandalosamente nuas.
Quero que o meu silêncio no banheiro
seja interrrompido pelas batidas de minha avó
na porta – que qui cê ta fazendo aí, moleque?!
- Quero o susto.
Quero ouvir os beatles em primeiro lugar nas
paradas de sucesso – os stones em segundo, vá lá. e
Make love, bicho, not war.
Na camisa branca quero as flores de “hair”
(por um mundo melhor)
Quero topar na rua com os bichos-grilo
com os Hare Krishna
Hare, hare, hare,
Quero desbundar em londres
Pirar em Woodstock
Pecar em altamont
Ver Gil em wight.
Oh!, my lord / my sweet lord...
Quero ouvir lp com chiado
Quero ver tv preto e branco
Quero que o google se foda
Que a internet se lasque
Que os celulares explodam
Que o consumismo se coma.
Onde há arte no mundo?