
ÚLTIMO POEMA PARA ISABELA NARDONI
A morte chegou pelo elevador
e, num março enfumaçado,
com seus guantes de aço
e suas garras de bile
colheu-te na imensidão ferruginosa
das sombras.
Com o avassaladora condenação das Parcas
- apartada toda a misericórdia -
A morte chegou pelo elevador
e, num março enfumaçado,
com seus guantes de aço
e suas garras de bile
colheu-te na imensidão ferruginosa
das sombras.
Com o avassaladora condenação das Parcas
- apartada toda a misericórdia -
a deselegância furibunda de um Talião
irrompeu atônita
enquanto calçavas as meias de seda
de seus sonhos.
Feito Dâmocles,
a Inolvidável chegou intimorata
empunhando a espada assassina
que teceu a noite definitiva
sem defesa ou recursos.
Apareceu do nada
(ou foi ruminada no pântano escabroso de um monstro?)
e como um decreto inclemente de Cambises
sentenciou sua injustiça manifesta
Sem luva nas mãos
sem identidade
mas frenética e irredutível
seus olhos arregalados e frios de fera enjaulada
interditaram os anjos da menina
decepando a haste frágil
de um jardim
onde dormitavam bonecas e velocípedes.
Indesejada e inexorável,
cruzou o Letes
com a velocidade desumana e cangaceira
de um zéfiro
veio para ti
pelas mãos de uma imerecida paternidade
navegando no rio ácido de um sangue
que não é doce como o seu.
Ela não se escondeu de você
pequena flor arrancada a contragosto
do inefável canteiro de pérolas,
mas ao brotar de um jardim sinistro
e cavalgando o dorso do horror
fechou-te as pálpebras
numa enxurrada fúnebre
lançando-te no vale de ossos
no exílio da pátria de jazigos.
Testemunha do silêncio e da lonjura dos dias,
experimentas o compulsório breu
do invisível
que se debruçou tão cedo
sobre o seu calendário imberbe.
Habitante do etéreo,
pesa sobre teus olhos frágeis
o chumbo de uma noite imprevisível
e a bomba alucinada e insone
que impingiu-lhe as mãos criminosas
agora marcam na tela desértica e grave
de teu quarto - sem borboletas nem sorrisos -
a insone obra
irrompeu atônita
enquanto calçavas as meias de seda
de seus sonhos.
Feito Dâmocles,
a Inolvidável chegou intimorata
empunhando a espada assassina
que teceu a noite definitiva
sem defesa ou recursos.
Apareceu do nada
(ou foi ruminada no pântano escabroso de um monstro?)
e como um decreto inclemente de Cambises
sentenciou sua injustiça manifesta
Sem luva nas mãos
sem identidade
mas frenética e irredutível
seus olhos arregalados e frios de fera enjaulada
interditaram os anjos da menina
decepando a haste frágil
de um jardim
onde dormitavam bonecas e velocípedes.
Indesejada e inexorável,
cruzou o Letes
com a velocidade desumana e cangaceira
de um zéfiro
veio para ti
pelas mãos de uma imerecida paternidade
navegando no rio ácido de um sangue
que não é doce como o seu.
Ela não se escondeu de você
pequena flor arrancada a contragosto
do inefável canteiro de pérolas,
mas ao brotar de um jardim sinistro
e cavalgando o dorso do horror
fechou-te as pálpebras
numa enxurrada fúnebre
lançando-te no vale de ossos
no exílio da pátria de jazigos.
Testemunha do silêncio e da lonjura dos dias,
experimentas o compulsório breu
do invisível
que se debruçou tão cedo
sobre o seu calendário imberbe.
Habitante do etéreo,
pesa sobre teus olhos frágeis
o chumbo de uma noite imprevisível
e a bomba alucinada e insone
que impingiu-lhe as mãos criminosas
agora marcam na tela desértica e grave
de teu quarto - sem borboletas nem sorrisos -
a insone obra
da tragédia imperdoável.
Ronaldo Cagiano expele seu poema de indignado sofrimento como uma
ResponderExcluir> catarse perante o horror inexplicável.
> Participamos comovidamente desse horror.
> e o poema se trasmuta em nênia e epitáfio
>
> Francisco Marcelo Cabral